sexta-feira, 17 de junho de 2011

Nossas Vidas - Parte Final ( Pris Jardim)


Em uma tarde quente de verão enquanto estava passeando pela beira do mar, ouvi ao longe uma voz conhecida me chamando, por um momento não acreditei e quando chamou novamente eu olhei, era o Marcelo, meu irmão tão querido vindo em minha direção. Mal pude acreditar corri para os braços dele como fazia quando criança e sempre que chegava de viajem. Nos abraçamos fortemente.
  • Marcelo meu querido, pensei que nunca mais o veria.- Disse beijando-o muito e com os olhos cheios de água.
  • Calma minha querida, eu já estou velho, assim você vai me matar.- Disse ele dando uma gostosa gargalhada.
  • Marcelo, o que faz aqui?
  • Vim passar o Natal com minha irmãzinha, não posso?
  • Passar o Natal, que felicidade, já estava pensando como ia ser triste passar o Natal aqui sozinha, sempre passamos com nossos avós, que alegria!
  • É minha querida e não vim sozinho, Matheus veio comigo, afinal não ia deixar meu filhão sozinho.
  • Nossa Marcelo, nem posso imaginar, um Natal em família como nos velhos tempos.
  • Vamos então quero ver meu sobrinho que vi bebê.
  • Calma minha querida, antes precisamos conversar um pouco, vamos nos sentar.
Não gostei muito quando Marcelo preferiu conversar antes de irmos, se ele não queria falar na frente do filho é porque podia ser coisa grave.
  • Fale meu irmão, estou ouvindo.
  • Primeiro quero que saiba que fiquei muito feliz por você ter vindo pra cá, mas existem algumas coisas que você precisa saber antes de voltarmos.
  • Pode falar, nada mais me magoa.
  • Na sua carta você pedia notícias de nossos irmãos ,pois bem vamos lá, nossa irmã Vanessa se casou com um milionário e foi morar na França, como ela diz, na terra da moda, ela está feliz, não tem filhos, não sei se não pode ou não quer, ela vem uma vez por ano para ver nossos pais, e só.
  • Nosso irmão se casou com uma moça de boa família e finge que trabalha com o pai dela, ele se esforça, mas gosta mesmo é da boa vida, tem 2 filhos um 9 e outro 8, são uns amores estão sempre lá em casa alegrando a todos.
Eu ouvia calada e bebia cada palavra que ele pronunciava, mas estava ansiosa por noticias de nossos pais.
  • Como você sabe, nossos pais sofreram muito com tudo o que aconteceu, mas antes de falar deles, nossa outra irmã, Juliana, se casou com um homem que amava demais, mas ela não, viram bem por um tempo, mas hoje vivem de aparecias e devido a uma tuberculose que ela teve, não pode ter filhos.
  • Nossa Marcelo, tadinha, eu não imaginei que ela ficaria assim se seu soubesse...
  • Você não podia saber, ela podia ter viajado e esperado para encontrar um novo amor, ela era nova, não tinha necessidade de fazer o que fez.
  • Carla minha querida, nessa vida levamos aquilo que plantamos e não devemos culpar aos outros por nossos fracassos.Você mesma, foi abandonada, tiraram seus filhos e você está bem e feliz, assim espero.
  • Você está certo, só me falta ter meus filhos.
  • Mas esse é o preço que você pagou pela loucura que fez, mas não estou aqui para julga-la.
  • Agora nossos pais.
Quando ele disse isso me deu frio na barriga, não sabia o que estava por vir.
  • Nossos pais estão bem velhos, sofreram muito por sua causa e por causa da sociedade que é cruel e foi muito cruel, papai perdeu alguns negócios importantes, mas com minha ajuda e ajuda do tempo conseguimos nos reerguer sem muitos problemas, mas agora já não ligam mais para sociedade e querem te rever.
Meus olhos encheram-se de lágrimas, finalmente eu ia poder rever meus pais, abraça-los e pedir perdão por te-los feito sofrer tanto.
  • E quando vamos para São Paulo para eu vê-los?
  • Você não vai para São Paulo, eles viram comigo para passarmos o Natal com você.
  • Não acredito, eles estão aqui, então vamos logo pra casa quero abraça-los e beija-los muito.
Marcelo concordou fomos pra casa. Quando chegamos sentimos do portão o cheirinho da comida da Odete que já havia preparado um jantar de boas vindas para meus pais , meu irmão e sobrinho.
Entrei abracei-os forte pedi desculpas, choramos, mas depois jantamos uma deciliosa lazanha feita pela Odeta.
Na tarde de Natal recebi uma carta de meus filhos que li com lágrimas nos olhos, as cartas estavam cheias amor e carinho e com a promessa de eles virem me ver qualquer dia. Esse foi realmente meu presente de Natal, saber que poderia voltar a ver meus filhos, rever meus pais, meu sobrinho e meu querido irmão. Eles voltariam para passar o Ano Novo com meus outros irmãos que não me perdoaram e eu nem podia pedir isso a eles. Foi um dos meus melhores Natais.
Na tarde anterior da partida dos meus familiares fui caminhar na praia com Marcelo.
  • Meu querido irmão, obrigada pelo seu amor por mim, foi ele que me colocou de pé novamente, na verdade foi a raiva misturada com o amor que sempre senti por você, não amor de homem e mulher, mas amor de irmão.
  • Eu sei minha querida que nunca ficaria comigo, que sempre amei sozinho, e não seria capaz de cobra-la um amor que era só meu, mas fui feliz em meu casamento, tenho um belo filho, que me enche de orgulho e te vendo bem me basta.
  • Meu irmão nunca vou poder retribuir a você tanto amor e nem por todo o bem que você me fez.
  • Minha querida essa é minha vida, nasci pra cuidar de você.
  • Meu querido essa é nossas vidas.

Fim!!!

Conto escrito por: Pris Jardim

domingo, 12 de junho de 2011

Nossas Vidas 12º Parte ( Pris Jardim)

A casa estava do mesmo jeito que da última vez que estivi ali. Estava tão cansada que não pensei muito fui dormir no mesmo quarto que dormia quando ia passar as féria, ele era amplo e a janela dava para o jardim e era nele que iria ficar.
Na manhã seguinte fui acordada com batidas na porta da frente me assustei afinal ninguém sabia que eu já tinha chegado, desci rápido as escadas e fui abrir a porta.
-Bom dia! É a senhora Carla eu imagino?
-Sou eu mesma e você quem é? 
-Sou a copeira que seu irmão Marcelo contratou para ajuda-la na arrumação e cuidar da comida- me disse aquela senhora de sorriso larga e gentil e antes mesmo de eu dizer qualquer coisa ela já foi entrando e se rumou para a cozinha eu fechei a porta e fui atras dela.
-Meu irmão não me falou sobre você. Como se chama? 
-Meu nome é Odete, fui copeira dele por alguns anos, até a morte de sua esposa, depois ele e seu filho foram morar com sua mãe, aí ele me trouxe pra cá e disse que era pra eu manter a casa sempre limpa e arrumada que um dia a senhora viria para cá, eu confesso que já não acreditava mais que um dia a senhora viria.
Ela ia falando tudo tão de pressa que eu mal podia entender tudo.
-Está bem, mas vai com calma, minha cunhada faleceu?
-Sim senhora pneumonia braba a senhora não sabia? 
-Não, já a algum tempo que não tenho contato com ele.
-Pois é, o pobrezinho ficou mal, numa tristeza só, então resolveu ir morar com seus pais. O menino já é moço feito está fazendo faculdade de direito e logo vai tomar a frente a nos negócios, é um orgulho para todos naquela casa.

Ela ia falando e sem eu perceber fez o café arrumou a mesa e me serviu, tudo tão rápido. Eu tomei meu café e ela continuou falando que já estava morando na casa dos empregados a pelo menos 3 anos que era viúva e que nós iriamos nos dar muito bem. Para mim foi tudo tão novo e inusitado, a tempos eu não conversava com alguém tão agradável.
Tomei meu café e subi para me trocar. No quarto escrevi uma carta para o Marcelo agradecendo por tudo e informando da minha chegada, desci e fui pedir para Odete colocar a carta no correio pra mim, afinal foram tantos anos sem pisar em terras cariocas que nem sabia mais onde encontrar nada.
-Odete, será que você poderia colocar essa carta no correio pra mim, é que não sei onde fica?
-Não se preocupe senhora Carla, hoje de manhã antes de acordá-la já fui ao correio e mandei uma carta dizendo para seu irmão que a senhora finalmente chegou. 
-Mas como assim?
-Eu ouvi quando a senhora chegou ontem a tarde e escrevi para ele como ele havia me pedido e hoje antes de acordá-la postei no correio. 
-Nossa assim vou ficar mal acostumada.
-Mas eu estou aqui pra isso, aproposito o almoço já está no fogo, tem alguma coisa em especial que a senhora queira? 
-Não, o que você fizer estará bem feito. Só uma coisa, você também cuidou do jardim?
-Por que? A Senhora não gostou das flores? 
-Eu adorei, é que muito serviço para uma pessoa só.
-Senhora, 3 anos morando aqui sozinha, me deram muito tempo pra muita coisa.
Ela disse rindo com uma simplicidade.
Eu estava feliz em minha nova casa, Odete era uma pessoa muito agradável e logo pedi a ela que viesse morar junto comigo, não havia razão dela morar na casa dos empregados enquanto eu morava em uma mansão sozinha, eram tantos os quartos que dava para se perder.
Toda tarde eu gostava de ir até a praia e ver o pôr do sol, imaginava aonde meus filhos estavam, sabia que estavam bem, pois sempre me mandavam cartas, escritas por eles, as meninas Clara e Lara 7 e 8 anos, ainda estavam aprendendo a escrever, mas mesmo assim faziam questão de cada uma escrever a sua, o Thiago meu primogênito, já tinha seus 10 anos e sabia se expressar muito bem.
Do Rodolfo, quase não tinha noticias, mas também não me importava em saber, queria saber dos meus filhos e ficava vendo a tarde cair e imaginando o que eles estavam fazendo naquele momento, que seria bom te-los ali comigo vendo aquela maravilha de Deus.

Continua...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Nossas Vidas 11º Parte ( Pris Jardim)


No dia seguinte resolvi que não mais ficaria parada vendo minha vida passar sem nada fazer por ela. Desde que nasci sempre me disseram o que fazer e a única vez que fiz alguma coisa pela minha cabeça tinha terminado do jeito que terminou, então resolvi recomeçar.
Escrevi uma carta para o Marcelo pedindo notícias e contando as últimas que me aconteceram. Contei também que só agora havia lido a carta e enviei, sem saber se obteria respostas.
Enquanto aguardava a resposta, peguei parte do dinheiro que o Rodolfo me mandará fui a cidade e comprei alguns vestidos novos, arrendei parte das minhas terras para o fazendeiro vizinho para a criação de gado. Fiquei com pedaço bom para minha horta e meu jardim, assim teria dinheiro e menos trabalho.
Não queria mais saber de amar, queria passar os meus dias ali aonde um dia fui muito feliz. Escrevi uma carta para o Rodolfo e esperei até o dia do mensageiro dele me trazer o dinheiro, isso se realmente aquele homem voltaria.
Na carta disse para Rodolfo ser feliz, mas que se eu não pudesse ver mais meus filhos que pelo menos ele me mandasse notícias deles, caso ao contrário eu iria até o inferno atras deles.
Em uma bela tarde de primavera, estava sentada em frente da casa olhando minhas rosas abrirem, quanto chegou correspondencia para mim. Era Marcelo que respoderá a carta. Fiquei feliz por ter contato com ele que até esqueci da raiva.
Na verdade a carta não dizia muita coisa, só dizia que nossos avós paternos haviam falecidos já a algum tempo e que a casa deles tinha ficado para mim e que a mesma estava abandonada a tempos esperando por mim. Dizia ainda que já sabia do Rodolfo e que ficará muito feliz e aliviado com noticias minhas e que se eu resolvesse ir para o Rio de Janeiro era para eu avisa-lo.
Achei estranho, pois não tinha noticias de nossos pais nem de nossos irmãos, mas fiquei feliz porque adorava aquela casa que ficava bem perto da praia e mais feliz por meus ávos me perdoarem e deixarem a casa para mim.
Então escrevi nova carta para Rodolfo dando conta do meu novo endereço e outra para Marcelo dizendo que iria assim que possível e chegando no Rio daria notícias, não perguntei mais pelos meus pais, já que ele não falou, também não perguntaria.Fui conversar com meu vizinho afim de saber se ele não queria arrendar toda a fazenda, já que não podia vender por que não tinha a escritura, ele aceitou e combinamos que assim que fosse para o Rio então ele poderia tomar contar e todo mês ele me mandaria uma quantia em dinheiro, assim não precisaria me preocupar em como me sustentar, uma vez que já estava com uma certa idade e seria difícil arrumar um emprego.
Estava tudo acertado em minha vida, mas eu ainda tinha que esperar o mensageiro, não queria correr o risco dele vir e eu não estar.
Alguns dias depois o mensageiro finalmente apareceu com aquele olhar vazio me entregou outro envelope sem dizer palavra e já foi saindo. Antes que se fosse entreguei o envelope à ele e lhe disse:
  • Por favor, entregue esse para o senhor Rodolfo.
Ele entrou na carruagem e se foi e assim 4 dias depois eu me mudei para o Rio de Janeiro em busca de uma nova vida.
Cheguei na antiga casa de meus avós e para minha surpresa ela estava limpa e arrumada, o jardim bem cuidado... não esperava por isso, afinal Marcelo disse que ela estava a minha espera por anos, imaginei encontrar tudo em ruínas.
Entrei e fui me instalar.

Continua... 
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