terça-feira, 31 de maio de 2011

Nossa Vidas- 10º Parte ( Pris Jardim)

        
        - Senhora Carla?
                    _ Sim sou eu.
      _Eu sou empregado do senhor Rodolfo, ele me pediu pra vir buscar as crianças e lhe entregar esse bilhete.
Peguei a carta, minha mão tremia muito, mas abri o bilhete e li:
       - Meu amor, mande as crianças pelo José, em breve vou mandar buscar-lhe também, e assim que der vou lhe ver.
       - Me desculpe pela demora, mas meu pai está muito doente.
Eu lia aquilo e não acreditava no que eu estava lendo, finalmente nossas vidas voltariam ao normal.
Mandei as crianças e fiquei esperando o dia de me juntar a eles.
Algumas semanas se passaram, e a cada dia meu coração me dizia que ele nunca mais voltaria, mas conservava a esperança que um dia Rodolfo voltaria para me buscar.
Numa tarde fria de inverno parou uma carruagem em minha porta, eu me levantei do sofá, onde estava tomando um chá para tentar me esquentar, quando bateram à porta.
Meu coração disparou, pensei- Meu amor veio me buscar.
-      Senhora Carla, boa tarde.
-      Boa tarde José.- Mal podia disfarçar minha decepção.
-      Trago essa carta do senhor Rodolfo para a senhora.
Ele me entregou a carta e foi saindo, eu ali parada sem entender direito o que estava acontecendo gritei para aquele homem:
-      Espere, onde está o Rodolfo?
Com um olhar distante ele me respondeu:
-      Essa informação eu não estou autorizado a dar, mas a carta explica tudo.
Ele se virou, entrou na carruagem e se foi sem dizer mais nenhuma palavra.
Fiquei ali olhando  a carruagem se afastar com a carta na mão sem saber ao certo o que fazer, então resolvi abri-la, nela dizia:
      
Carla, o tempo que passamos juntos foi bom, te agradeço pelos nossos belos filhos que você soube educar bem.
      Dentro desse envelope existe uma quantia em dinheiro que  acredito de para você se manter por algum tempo, pode ficar com a casa que você gosta tanto, sempre vou lhe enviar algum dinheiro, você não vai morrer de fome,isso te prometo.
      Meu pai faleceu e minha mãe pediu que eu ficasse com ela e ela adora nossos filhos, mas infelizmente ela não te aceita, eu por outro lado preciso de uma companheira, como não somos casados de fato vou me casar com a filha de um fazendeiro amigo de meus pais. Não se preocupe, ela adora nossos filhos e vai cuidar deles como se fosse dela.
   Não me procure, nem tente rever nossos filhos, pois estou fora do país.
   Seja feliz e recomece sua vida.
                                                              Rodolfo.

Cai sentada na frente da porta, parecia que haviam enfiando um punhal em meu peito. Meu amor iria se casar com outra, não veria mais meus filhos, ele me mandaria dinheiro...
Minha cabeça rodava, eu não podia acreditar que depois de tantas coisas que passamos agora ele me deixará só, sem meus filhos, sem minha família, chorei tanto sentada ali na soleira da porta que nem vi que escurecerá.
Fiquei alguns dias sem ter coragem nem de me levantar, afinal levantar pra que, pra que viver. Tudo havia perdido o sentido para mim.
No meio desse carrossel de emoções, pensando se valia a pena viver, recomeçar... buscando algum motivo para seguir lembrei-me da carta que meu irmão Marcelo havia me deixado, fui procurá-la.
Depois de algum tempo a encontrei, estava amarelada e meio amassada, afinal já haviam se passado 10 anos.
Sentei-me no sofá velho da sala e comecei a lê-la.
Ela começava assim:

Querida irmã, sinto muito por tudo o que aconteceu, e que de certa forma fora culpa minha. Não sou teu irmão de sangue e sim fruto de uma traição de um amigo de nosso pai, que vendo o amigo em maus lençóis decidiu ajudá-lo e nossa mãe como até o momento não tinha ainda conseguido engravidar resolveu aceitar aquela situação, afinal não tinha outra escolha, então viajaram e assim que a criança nasceu eles voltaram já com o bebê o que não gerou nenhuma desconfiança da sociedade.
Eu sempre te amei e quando descobri essa história por acaso, pois ouvi certa vez uma briga de nosso pai com seu amigo, nosso pai dizia:
Como pode você vir aqui e querer seu filho de volta o filho é meu ponhasse daqui pra fora.  Ele disse aos berros, bem ao estilo do papai.
Quando o amigo se foi eu entrei e cobrei explicações, afinal eu estava feliz por não estar em pecado como pensava.
Foi aí que papai descobriu meus sentimentos por você e me proibiu de contar pra quem quer que fosse e foi aí que começaram suas viagens, afim de tirá-la de perto de mim.Mas quanto mais tempo passava longe de você mais eu a amava, por isso sou culpado por sua infelicidade.
 Nosso pai pensando que você estaria melhor longe só criou mais confusão e sua infelicidade.
Quero que saíba que o papai te ama muito, ele chora toda noite, a mamãe também te ama e já te perdoou.
Agora que você sabe toda a verdade peço que me perdoe.
Estou deixando um numero para nos correspondermos sem que ninguém saiba, assim posso ajudá-la no que for preciso e te manter informada das coisas da família.

Carinhosamente seu irmão Marcelo.

  Ao terminar de ler mais uma vez me senti sem chão, busquei naquela carta um motivo para continuar a viver e só encontrei mentiras de uma vida inteira que de um certo modo ajudaram acabar com minha vida.
Odiava o papai por eu não parar em casa, odiava o Marcelo por ter me contado tudo aquilo, e agora o que fazer com essa informação e aquele número depois de tantos anos será que ainda existia, eram tantas coisas tantas perguntas, fiquei horas pensando em tudo aquilo e no que fazer que acabei por adormecer no sofá.

Continua...

domingo, 29 de maio de 2011

Nossa Vidas- 9º Parte ( Pris Jardim)


- Se tiver alguém aqui que possa impedir que esse casal se case que fale agora ou se cale para sempre.
-Eu tenho padre- Todos olharam para Silas- Ele não ama essa mulher ele ama a irmã dela.
O chão sumiu debaixo dos meus pés, Rodolfo me olhou e nossos olhares então falaram por nós, sem dizer palavra, Rodolfo saiu do altar e veio em minha direção, me pegou pelo braço e saímos os dois correndo dali.
No fundo ouvíamos as pessoas gritando,xingando , choros, mas naquele momento não pensei em ninguém, só em mim. Já havia perdido muito tempo da minha vida pensando nos outros e agora que tinha meu amor ao meu lado o mundo podia acabar que eu não iria ligar.
Fugimos dali para um sítio que Rodolfo tinha herdado de um tio seu no interior de São Paulo.
Por alguns dias foi mágico, ninguém tinha vindo atrás de nós até que um dia batem a porta quando eu abri quase morri, era meu pai.
-Papai, o que faz aqui?
-Você ainda pergunta sua desavergonhada.
-Por favor papai, não fale assim comigo.
Ele entrou e então vi que Marcelo tinha vindo com ele, os dois entraram e meu pai foi direto ao assunto.
- Só estou aqui pra lhe informar que a partir de hoje você não é mais minha filha, que sua mãe e sua irmã quase morreram de vergonha e que você não deve nunca mais nos procurar.
- Mas papai, não é justo, fiz a coisa errada sim, mas se eu não tivesse que viajar tanto, nada disso teria acontecido, a culpa também é do senhor e...
Não terminei a frase, meu pai me deu um tapa no rosto que quase fui ao chão se não fosse por meu irmão...
-E fosse ainda me culpa, você e esse rapaz são dois irresponsáveis, como puderam fazer isso com a Juliana? Vocês só pensaram no que queriam, agora vocês vão poder ficar juntos, vivendo o amor de vocês, mas na miséria, porque enquanto eu estou aqui falando com você o pai dele está tendo a mesma conversa com ele.
Essas palavras caíram como uma bomba em minha vida, nunca fui de luxo, mas Rodolfo presava muito as regalias que seu dinheiro podia te dar.
 Meu pai saiu sem me dizer mais nada, meu irmão quando saiu me entrou uma carta, sem que meu pai pudesse ver e se foram.
Quando Rodolfo voltou me contou que ele agora só tinha aquela casa e aquelas terras, nada mais, eu estava tão surpresa com tudo aquilo que nem abri a carta, guardei no meu das minhas roupas que meu pai havia me trazido junto com a noticia.
O tempo foi passando tive três filhos, mas minha vida piorava a cada dia por causa do meu remorso e da distancia de Rodolfo. Ele me culpava por tudo, não gostava de trabalhar e eu cuidava sozinha da horta que vendia pra ter algum dinheiro e para nunca faltar comida aos nossos filhos.
Depois de alguns anos fiquei sabendo que Juliana havia se casado com Guilherme o amigo de Rodolfo e de meu primo Silas. Descobri que Silas tinha planejado tudo com Guilherme, na esperança de Rodolfo abandonar Juliana no altar e fugir comigo e deu certo. Rodolfo fugiu e Guilherme como passava os dias consolando Juliana, acabou por despertar nela carinho por ele e acabaram se casando.
Juliana não era feliz e eu me culpava por isso, meus outros irmãos também se casaram, mas não sabia como estavam.
Um dia Rodolfo, que nem de longe lembrava mais aquele belo rapaz que havia me apaixonado me disse que seu pai havia mandado uma carta pedindo que ele o fosse ver, Rodolfo saiu feliz. Meu sogro já era velho e Rodolfo viu aí uma chance de voltar às boas com o pai. Eu fiquei feliz também por ele.
Rodolfo não volto naquele dia nem no outro, eu não podia ir traz dele por causa das crianças, só me restava esperar.
Alguma coisa dentro de mim dizia que Rodolfo não voltaria mais, mas acreditava que era bobagem minha, até que um dia parou uma carruagem na  porta de casa, eu estava no quintal sai correndo na esperança de ser Rodolfo de volta, mas...

Continua...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Nossa Vidas- 8º Parte ( Pris Jardim)


Finalmente cheguei em casa depois de muito tempo, todas essas lembranças me deixaram com mais saudades da minha família. Não sabia como eles estavam e nem tão pouco como me receberiam, mas nada me importava, queria estar com eles. Quando cheguei percebi uma movimentação anormal em casa, Marcelo estava no portão parecia que adivinhara minha chegada.
- Carla, o que faz aqui? – Disse meio ressabiado.
- Nossa meu irmão, depois de tanto tempo é assim que me recebe?
- Desculpe, estou feliz em revê-la é que não sabia de sua volta.
- Decidi voltar após o falecimento de nossa tia, não via mais razão de ficar na Itália sozinha e estava morrendo de saudades de todos.
Marcelo me deu um abraço gostoso e entramos.
Dentro de casa estava um corre corre.
- O que está acontecendo e cadê todos?
- Hoje é o dia do casamento de Juliana.
Aquelas palavras me doeram na alma.
- Como hoje, pelas minhas contas já era pra eles terem se casados a um mês.
- Juliana ficou muito doente e tiveram que adiar a data.
- Mas como ela está agora? Ela está bem?
- Calma, foi uma pneumonia forte, talvez por ansiedade, não sei, mas agora está ótima e vai se casar hoje.
- Agora entendo sua reação ao me ver.
Minhas irmãs e minha mãe chegaram da modista,  quando minha mãe me viu correu para me abraçar.
- Minha filha que surpresa boa te ver aqui e bem no dia do casamento de sua irmã, você está tão bonita, a Itália te vez muito bem.
- Obrigada mamãe, mas acho que não poderei ir ao casamento da Juliana, não tenho roupa e estou exausta da viagem.
- Que bobagem minha irmã, tenho certeza que trouxe um belo vestido da Itália e poderá usa-lo em meu casamento.
-Oh, minha irmã estou tão feliz por você, desejo muitas felicidades para você.
- Estou feliz por você estar de volta Carla, mas também acho que não deveria ir ao casamento.- Disse Vanessa, com um ar de preocupação.
-Também estou feliz de estar de volta Vanessa.
Meu pai chegou com Roberto que quase desmaiou ao me ver.
- Carla, você aqui? Que hora para voltar.
- Não fale assim com sua irmã, seja muito bem vinda minha filha, estou feliz com sua volta e já ia mesmo mandar você voltar, estava com muitas saudades de você.
Entendi a reação de meus irmãos e eu mesma queria fugir dali e só voltar depois do casamento, mas já que estava ia enfrentar tudo de cabeça erguida.
Fui para meu quarto me refazer da noticia e rezar pra que tudo desse certo naquela noite, pois apesar do meu amor por Rodolfo, queria do fundo meu coração que eles fossem muito felizes. Fiquei algumas horas em meu quarto com a desculpa de descansar para o casamento até que minha mãe veio pedir minha ajuda para arrumar Juliana.
Ajudar minha irmã foi muito difícil, mal conseguia disfarçar meus sentimentos, Vanessa vendo meu desconforto disse que eu poderia ir me arrumar que ela terminaria de ajudar nossa mãe.
Voltei para o meu quarto e meu irmão Marcelo veio ver como eu estava.
- Minha menina, você está linda como nunca antes a tinha visto, os ares da Itália lhe fizeram muito bem.
- Ah, Marcelo se eu soubesse do casamento só teria voltado depois.
-Você não tem culpa, a carta que papai te mandou avisando que o casamento tinha sido adiado eu não mandei, pensei que seria melhor você pensar que Juliana já havia se casado, mas hoje vejo que fiz mal.
- Mas porque você não me mandou a carta, tinha medo que eu voltasse e que disse-se a verdade?
-Esse era meu medo, até porque Juliana ficou doente porque soube por um amigo de Rodolfo que seu verdadeiro amor era você.
- Como assim? Porque ele fez isso?
-Porque ele amava Juliana e pensou que se ela soubesse da verdade não se casaria mais, e quase não se casou mesmo, mas Rodolfo disse que era invenção, que ele realmente tinha amado você, mas não sentia mais nada e que queria casar-se com ela.
- Meu Deus, quanta coisa aconteceu enquanto eu estava fora.
- Papai sempre soube da verdade por isso te mandou pra Itália.
-Disso eu sabia ele mesmo me contou, não tenho magoa dele, ele fez o que achou certo de fazer, eu até tentei me interessar por alguém,mas não consegui, resolvi voltar porque estava só e com saudades.
- Carla, minha menina, eu te amo tanto e não queria ver seu sofrimento.
Marcelo me abraçou e chorei baixinho em seu ombro, porque eu ainda amava aquele homem, mas agora já era tarde o destino tinha tratado de nos afastar pra sempre.
Quando Rodolfo ficou sabendo que eu tinha voltado queria cancelar o casamento, mas sua família o obrigou a seguir com aquilo e enquanto eles brigavam os convidados me olhavam feio e diziam que a culpa do atraso do noivo era minha. Todos ficaram sabendo não sei como, mas por onde eu andava tinha olhares reprovadores em minha direção.
O casamento atrasou por duas horas, minha irmã nem percebeu porque estava cercada de tanta gente arrumando uma coisa aqui outra ali, até que o noivo finalmente chegou.
Meu pai estava furioso com tudo aquilo eu me coloquei em um canto meio escondido para não piorar a situação.
Juliana quando entrou no salão estava linda, parecia uma princesa, feliz e radiante. O casamento finalmente começou e tudo ia bem, meu primo Silas me olhava de longe de um jeito estranho e incomodo, mas não dei atenção para ele até que então...

Continua...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Nossa Vidas- 7º Parte ( Pris Jardim)


- O que aconteceu com você Carla?
- Nada só estou cansada da viagem.
- Então porque seus olhos estão vermelhos? Por que você chorou?
- Não chorei não.
- Sei que você já conhecia Rodolfo e sei que ele veio atrás de você. O que eu não sabia era que você havia se apaixonado por ele.
Naquele momento abracei forte meu irmão e chorei. Marcelo então me contou toda a historia e o porque de Rodolfo se interessar por Juliana.
- Então ele achou que eu havia brincado com ele?
- Como você teve que sair as pressas da casa da vovó e não o avisou, ele achou que você não gostava dele, afinal ele ficou horas te esperando e você não apareceu.
- E quando ele veio você não explicou o que havia acontecido?
- Expliquei, mas ele não se conformou e Juliana é muito envolvente e acabou por seduzi-lo já que você não voltava.
- Isso é injusto eu estava cuidando de nossa avó e não tinha tempo para romances, e como poderia escrever-lhe, sendo que só nos encontramos uma única vez.
- Então minha querida, não reclame se recomponha e aceite os joguetes da vida. Não sei se ele de fato te ama, ou amou, só sei que agora é oficial e logo depois de meu casamento eles ficaram noivos.
Marcelo deixou meu quarto e fiquei lá pensando em como conseguiria conviver com meu grande amor sem demonstrar meus sentimentos.
O casamento de Marcelo chegou e foi uma grande festa. Todos brindavam ao novo casal e o Natal. Meu pai estava muito feliz, com toda a família reunida.
Já era tarde da noite quando me retirei da festa. Marcelo e Ana haviam ido para sua nova casa e pela manhã embarcariam para a Grécia, antigo sonho de Marcelo.
Depois de me despedir do meu irmão voltei para casa e quando já entrava em meu quarto Rodolfo me puxou pela mão para dentro do quarto.
- O que faz aqui, saía, se meu pai nos encontra aqui vai haver um escândalo.
- Não posso seguir minha vida com essa dúvida.
- Que duvida?
- Você me ama?
- Que importa isso agora, mas alguns dias você ficará noivo de Juliana.
- Preciso saber, ama ou não?
- Como posso te amar se só nos vimos uma vez.
-Eu sou um tolo achando que você  tinha sentido o mesmo que eu, eu vim a sua procura para me casar com você e no fim vou casar com sua irmã caçula.
- Coisas da vida meu caro, mas Marcelo disse o que havia acontecido por que você não me esperou? Já que está dizendo que me amava e queria casar-se comigo?
- Porque... por que...
- Viu, o que sentiu por mim foi qualquer coisa e não amor.
- Você não me respondeu.
- Não respondi e nem vou.
Como um louco Rodolfo me agarrou e beijou-me  como se fosse o fim do mundo, eu parecia estar em uma montanha russa de emoções.
- Pare com isso. - Gritei empurrando Rodolfo.
- Já tenho minha resposta.
Rodolfo saiu e depois daquele dia só nos falávamos o necessário. Trocávamos olhares, sem dizer uma palavra. Não imagiva que meus irmãos haviam percebido o que estava acontecendo.

Continua...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Nossa Vidas- 6º Parte ( Pris Jardim)


Desembarquei no porto de Santos e como não havia ninguém para me levar para casa, peguei uma carruagem de aluguel até minha casa. Estava feliz por voltar e rever minha família.
No caminho imaginava ver minha irmã casada e quem sabe já com filhos, assim como Marcelo que já tinha tido o seu primogênito o qual não conhecia, só fiquei sabendo pela ultima carta que receberá junto com noticia do casamento de Juliana que era para breve. Perdida em meus pensamentos me lembrei do dia em que soube que meu grande amor era noivo de minha irmã...
Quando cheguei a Santos voltando do Rio de Janeiro com minha irmã para o casamento de Marcelo, fui surpreendida com Rodolfo em minha casa fazendo o pedido de Casamento a Juliana.
- Que bom que vocês chegaram, bem na hora do pedido de casamento de Juliana.- Disse meu pai com sorriso largo no rosto.
Eu me vi em meio de um turbilhão de sentimentos sem explicação, meu pai foi falando:
-Mamãe que coisa boa a senhora, papai e as meninas terem chegado em uma hora tão feliz em nossas vidas.
- Papai que surpresa é essa? Nem sabia que Juliana estava namorando .
- Ora Carla, logo depois de você e a mamãe foram para o Rio, Rodolfo veio nos fazer uma visita e eu me encantei por ele, logo trocamos cartas e finalmente ele veio oficializar nosso amor!
Minha cabeça parecia que ia explodir, queria gritar para todos que se um dia Rodolfo tinha ido até nossa casa, era para me ver, que eu o amava. Tive vontade de agarrá-lo e beijá-lo ali mesmo, mas notei que Rodolfo nem se quer me olhava e quando o fazia era com desdém.
Meu pai nos apresentou e ele só disse prazer, nem ao menos disse que já nos conhecíamos e como também não tive tempo antes de o fazer, não seria agora que o faria. Cumprimentei-o, pedi licença e fui para o meu quarto. Lá fiquei por horas até que Marcelo foi me ver.

Continua...

sábado, 14 de maio de 2011

Nossa Vidas- 5º Parte ( Pris Jardim)


- Ora senhor Paulo não fique assim, o senhor fez aquilo que achou certo fazer, e Oswaldo o ama muito só que trabalha de mais.
- Me sinto culpado por isso, mas hoje peço a Deus que Oswaldo veja antes que eu o que ele está perdendo.
Meu avô e minha e minha mãe ainda conversaram mais um pouco antes de irmos ver minha avó.
Quando entramos no quarto, me senti um pouco incomodada, pois o quarto está soturno, pouca luz, um odor forte de remédios,  minha avó parecia uma morta viva, não me demorei muito no quarto.
Com o passar dos dias eu me encarreguei de cuidar dela, abri as janelas deixando a luz do dia entrar, coloquei flores, dava banhos regulares, rezávamos juntas, contava para ela de minhas viagens, e tudo aquilo parece que foi fazendo com que ela se recuperasse. O trabalho era tanto que nem via o tempo passar.
Em um final de semana, papai chegou com Juliana e Vanessa para nos visitar e ficou muito feliz por ver minha avó bem.
- Minha nossa mamãe, parece um milagre o que aconteceu com a senhora, está bem e na sala, fico muito feliz.
- Oh, meu filho, devo tudo isso a dedicação de Carla que cuidou de mim todo esse tempo. Sua mulher também é uma santa, as duas cuidaram muito bem de mim.
- Oswaldo você é abençoado por ter essa mulher tão dedicada e que  soube educar tão bem suas filhas.-Disse meu avô.
- Papai, agradeço toda noite a Deus por minha família.
Passaram a tarde conversando alegres e em um determinado momento meu pai disse.
- Como mamãe está melhor, vou dizer a Marcelo que já pode casar-se.
- Oswaldo você não deveria ter adiado o casamento de Marcelo por minha causa
- Como ele poderia se casar sem sua mãe e sua irmã estarem no casamento e sua saúde mamãe vêm em primeiro lugar, mas como já está melhor amanhã levo Amália e semana que vem mando buscarem a Carla e vou deixar a Vanessa para ajudá-la também, já que o ano letivo já se encerrou.
Quando meu pai disse isso me dei contar que já estava com minha avó a meses, ele sempre vinha nos visitar, passava o fim de semana e voltava. Os dias iam tão depressa que nem me dei conta do tempo. No dia seguinte após o café da manhã meus pais e Juliana voltaram para Santos e fiquei com Vanessa.
Vanessa e eu nos dávamos bem, mas sempre tive cuidados ao falar com ela, pois era uma pessoa explosiva.
A semana foi passando e Vanessa conversa muito com a vovó, ela gostava de falar sobre a moda, e coisas que lhe interessava, a vovó ria muito com ela, então tive um tempo para descansar um pouco e então voltei a pensar em Rodolfo. Pensava que logo após o casamento de Marcelo eu voltaria a casa da vovó Filomena e reencontraria aquele que era meu grande amor.
Ficamos mais duas semanas, pois papai resolveu que Marcelo se casaria na véspera de Natal uma vez que já estava perto e assim minha avó poderia viajar e ir para o casamento também.
No dia 20 de dezembro meu pai mandou nos buscar, Vanessa estava preocupada com seu vestido, mesmo ela tendo deixado as medidas e o modelo para a modista antes de vir para o Rio de Janeiro.
- Papai não podia fazer isso comigo, eu deveria ter ido antes para provar meu vestido.
- Calma Vanessa, teremos quatro dias para ver isso.
Vovó Lucila soltou uma risada gostosa e disse.
-Filha nenhuma mulher resolve coisas como vestido em quatro dias.
- Carla é estranha vovó, finge não se importar com essas coisas quando no fundo está tão preocupada quanto eu.
- Não sou estranha, estou preocupada sim, mas pedi a mamãe que usasse de molde um vestido recente meu e disse como o queria, agora é só experimentar quando chegar e rezar para ficar bom.
Meus avós riram com toda aquela situação, eu e Vanessa acabamos rindo também.  
Uma brisa leve tocou o meu rosto como num beijo de despertar e lembrei-me que estava voltando pra casa depois de tanto tempo. Me dei conta que já havia anoitecido, voltei ao camarote do navio e o resto da viagem transcorreu bem.

Continua...

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Nossa Vidas- 4º Parte ( Pris Jardim)


Passava férias na fazenda de minha avó, mãe de minha mãe.
Cavalgava lentamente entre as pastagens admirando o por do Sol e já retornava, quando o vi em meio aquela paisagem, meu coração disparou e quase cai. Rodolfo se aproximou de mim para saber se eu estava bem.
-Senhorita, você está bem?
- Sim Obrigada!
-Deixe me apresentar, meu nome é Rodolfo, sou filho do Barão Horácio da fazenda vizinha.
-Muito prazer meu nome é Carla, sou neta da Dona Filomena.
- Como nunca há vi por aqui?
- Venho as vezes visitar a minha avó, moro em Santos, sou filha do senhor Oswaldo, ele é comerciante em Santos.
Rodolfo foi me acompanhando de volta a casa grande, no caminho conversamos muito e parecia que eu estava sonhando com aquele homem tão belo e educado.
Chegamos e ele se despediu e antes de sair combinamos de nos encontrar no dia seguinte para continuar nossa conversa, mas como o destino é ingrato tive que viajar as pressas para minha casa a mando de meu pai, não pude se quer deixar um recado.
Viajei a noite toda, quando cheguei em casa meu pai já foi dizendo, sua mãe terá que viajar para o Rio de Janeiro porque minha mãe está mal, você terá que ir com ela para ajuda-la, não posso me ausentar da cidade por esses dias, mas vou ao encontro de vocês assim que puder.
- Papai, adoro a vovó, mas por que eu? Por que não a Vanessa ou a Juliana?
- Porque Vanessa está para se formar e não pode perder o ano e Juliana de nada serviria, pois não sabe nem lavar um copo, você é moça prendada, já se formou e é você quem vai acompanhar e ajudar sua mãe.
Não disse mais nada, nem desfiz as malas, fui para o meu quarto descansar um pouco, pois a tarde já iria viajar novamente. Deitei em minha cama, mas não consegui dormir. Pensava porque não ficava em casa, depois que me formei meu pai sempre me mandava para lugares diferentes. Dizia ele que era para eu ter conhecimento das coisas, mas porque eu que sou mulher e não o Roberto, que mal sabia lidar com os negócios da família . Não questionava meu pai, mas sentia muita falta de casa e principalmente de meu irmão Marcelo, que estava noivo e se casaria em breve, queria aproveitar o pouco tempo de solteiro que lhe restava, mas não foi possível, acho mesmo que meu pai não gostava de mim.
A tarde depois do almoço embarquei com minha mãe rumo ao Rio de Janeiro, mas o Rodolfo rodeava meus pensamentos o caminho todo. Minha mãe me perguntou o porque de eu estar tão calada.
- Não é nada mamãe, só estou cansada, não tive tempo de descansar da viagem da casa da vovó Filomena.
- Isso está me parecendo mais saudade de alguma coisa do que cansaço.
Minha mãe deu um sorriso maroto e ficou esperando uma resposta.
- Ora mamãe, não é nada disso, é só cansaço mesmo.
Não disse mais nada, pois minha mãe parecia ler pensamentos e quanto mais eu falasse mais ela teria certeza de suas suspeitas.
Dava-me muito bem com a minha mãe, ela também não gostava de eu viajar tanto, mas não tinha coragem de contrariar meu pai, e estava feliz de podermos passar algum tempo juntas.
Quando chegamos ao Rio de Janeiro encontramos minha avó muito doente, meu avô estava muito preocupado e agradeceu a nossa ida.
- Não tem nada que agradecer senhor Paulo, viemos assim que recebemos sua carta.
- É muito triste não ter vocês por perto, Oswaldo não quer sair de Santos e Joana do Rio, aí ficamos longe por teimosia dupla.
Ele soltou um sorriso amarelo e nos acompanhou até nossos quartos.
- Oswaldo não vem ver a mãe?
- Ele virá semana que vem senhor Paulo, no momento não pode sair  de Santos...
- Não precisa nem terminar a frase, pois esse discurso eu conheço muito bem, pois me privei a vida toda de minha família por causa de dinheiro e hoje que não preciso mais trabalhar não tenho meu único filho comigo e minha esposa já não pode viajar por causa da doença, não sei se faria tudo do mesmo jeito hoje.

Continua...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Nossas Vidas- 3º Parte ( Pris Jardim)


A viagem de navio foi tranquila, sem tempestades, só algumas chuvas fortes em alto mar.
Cheguei na Itália na primavera. Nessa época do ano tem um clima agradavél, nem muito frio nem muito calor.
Vivia muito bem com minha tia, para ela a minha chegada foi a glória, pois estava doente e seus filhos não se importavam. Ela era a típica italiana, baixa, corpo robusto, pele clara, cabelos castanhos e olhos esverdeados.   Eu cuidava dela e da casa com muita alegria.
Minha vida era boa, a casa de minha tia era confortável, ela ficava em frete a um lago onde todas as tardes íamos ver o por do Sol. Ela me contava como fora sua vida na Itália, me contava sobre meu falecido tio, histórias sobre meus primo, nos entendiamos bem, ela falava um pouco de português e eu entendia um pouco de italiano, no final dava tudo certo, mas sempre me dizia:
- Carla minha filha, você é nova porque fica aqui cuidando de uma velha, você deveria ir para cidade e conhecer pessoas.
- Tia Carmela, eu amo ficar aqui e cuidar da senhora e ao mesmo tempo cuido de mim, tenho que me curar de uma doença, a pior delas, o amor.
- Minha menina, isso não se cura você poder viver mil vidas e enquanto esse amor não for vivido em sua plenitude, essa doença nunca irá se curar.
Naquela noite, quando fui me deitar, não conseguia pegar no sono, só pensava nas palavras de minha tia. Será que ela tinha razão? Será que para eu esquecer Rodolfo teria que viver aquele amor? Essas perguntas me pertubavam a cabeça e por mais que pensasse não achava meios de viver aquele amor, afinal ele estava noivo de minha irmã e até eu voltar para o Brasil ele já estaria casado. Cansada de tanto pensar resolvi dormir e esquece-lo de vez.
Alguns meses se passaram e minha tia Carmela veio a falecer,  foi triste, seus filhos cuidaram de tudo. Ela era muito querida por todos, foi uma despedida simples, mas cheia de amor. Sem ter mais um porque de ficar na Itália , resolvi voltar ao Brasil.
Escrevi aos meus pais informando o falecimento de nossa tia e avisando  da minha volta.
Nesse tempo que estive na Itália recebi poucas cartas de meus pais e sempre com poucas palavras, só perguntando sobre mim e minha tia. Pelas minhas contas Juliana já havia se casado e eu não representava mais nenhum perigo para ela ou para seu casamento.
Marquei minha viagem e duas semanas depois embarquei no navio de volta para o Brasil.
 Minha viagem de volta corria bem, o mar está calmo e não havia previsão de tempestades.
Em uma tarde tranqüila subi até o convés para ver o por do Sol e me despedir da Itália. Foi o por do Sol mais lindo que já havia visto. Parecia que o mar e o Sol eram um só, observando aquela maravilha agradeci a Deus por estar tento a oportunidade de ver aquela pintura irretocável.
Uma leve brisa tocava meu rosto, meus olhos  encheram-se de lágrimas, por estar diante daquela beleza inenarrável e por me lembrar de como conheci Rodolfo.
Foi em uma tarde assim que o conheci.

Continua...

sábado, 7 de maio de 2011

Nossas Vidas- 2º Parte ( Pris Jardim)


Roberto, Juliana e eu fomos na carruagem de Rodolfo, enquanto meus pais e Vanessa foram em nossa carruagem, eu queria ter ido com meus pais, mas Vanessa não era querida por Rodolfo então fui com eles.
Chegamos ao salão de baile da cidade, era um lugar lindo. A fachada era de um casarão comum lindo jardim na entrada. Lá dentro estava todo enfeitado com rosas e orquídeas em vários tons, a escadaria que dava para o salão, normalmente usado pelas noivas,estava toda enfeitada com flores campestres.
Toda a nossa família e da noivo estavam presentes, a festa estava linda, Juliana bailava no salão como uma princesa com seu príncipe, eu os observava de longe quando percebi que mais  uma vez Roberto e Vanessa discutiam.
Fui ver o que estava acontecendo e quando me aproximei gelei ao ouvir a discussão. Vanessa quase aos berros dizia que iria contar à todos que eu  amava Rodolfo e era correspondida. Puxei Vanessa pela mão e tirei-a dali e fomos para o jardim; Roberto foi atrás para tentar acalmar Vanessa.
-Vanessa você está louca eu e Rodolfo somos apenas amigos.
-Pode até ser, mas sei que você o ama.
- Nunca mais diga isso.- Disse em voz forte para ela.
Roberto falou com certa tristeza na voz.
- É por isso que brigávamos antes de sair, Vanessa foi contar para Juliana que você amava Rodolfo.
Fiquei sem ação por alguns segundos então retomei.
-Não precisa mais se preocupar comigo Vanessa, semana que vem vou para Itália, e se Deus quiser volto somente depois do casamento deles que  está marcado para daqui dois meses e vou ficar pelo menos três meses ou talvez nem volte mais.
-Viu Vanessa, ela vai embora, agora você pode cuidar da sua vida e deixar a nossa em paz.- Disse Roberto com ar de alívio.
Roberto depois de dizer isso levou Vanessa para dentro do salão, alguns momentos depois, entrei, bem na hora das alianças. Vanessa ao me ver, abriu um sorriso sarcástico, rindo por dentro.
Vanessa não amava Rodolfo,ela gostava era de infernizar a minha vida e a de Juliana , por algum motivo ela me detestava, não sei ao certo, pois fomos criadas de mesmo jeito, nunca tive regalias em casa e sempre ajudei a mamãe a cuidar dela e de meus outros irmãos, por ser a mais velha deles.
Vanessa mal podia conter sua satisfação em me ver naquela situação, eu por outro lado, me aproximei dos noivos felicitei-os e me afastei, ninguém percebeu, Roberto se aproximou e me disse:
- Às vezes você me surpreende, mas dessa vez tenho que te dar os parabéns.
-Por quê? Porque quero a felicidade de minha irmã Roberto, ou você me julga como sendo a Vanessa.
-Ela pelo menos não finge seus sentimentos.
-Eu não finjo, só apareci tarde demais na vida de Rodolfo e  não sou capaz de estragar a vida da Juliana.
- Você não tem coragem é de assumir quem você realmente é.
Eu simplesmente saí da salão deixando Roberto lá em pé, falando sozinho, Roberto tinha afeto por mim e eu por ele, mas era só afeto, Marcelo, meu irmão mais velho, era quem me amava de verdade, agora que estava casado e morando longe não tinha mais quem me defenderá de meus irmãos mais novos.
O baile acabou e a vida seguiu, uma semana se passou e o dia da minha viagem pra Itália chegou.
Meus pais, Marcelo e Roberto me levaram até o porto. Me despedi deles e com muita tristeza embarquei para Itália, e comigo naquele navio embarcaram, todos os meus sonhos e esperanças de recomeçar a minha vida, em outro país com minha tia Carmela e se Deus permitisse encontraria um amor e quem sabe me casaria e viveria por lá.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Nossas Vidas- 1º Parte ( por Pris Jardim)


Mini Introdução
Essa história se passa no fim do século XIX começo do século XX, nas cidades de Santos- São Paulo e Rio de Janeiro.
Carla nossa protagonista vive um amor proibido, com encontros e desencontros.
É um romance leve porém...

Boa leitura.

Nossas Vidas

Era tarde de outono em Santos, eu estava sentada perto da janela que dava para orla da praia à sua espera. Estava impaciente,meu coração estava aflito, quando a sua carruagem chegou enfim, mal pude conter a emoção, meu coração quase saiu peito a fora.
Ele estava lindo em sua roupa de gala, descendo da carruagem.Ele tinha estatura mediana, corpo forte, olhos castanhos claros e a pele queimada do Sol, era lindo, um Deus grego.
Nesse mesmo instante meus três irmãos desceram as escadas discutindo muito, como sempre eu tive que conte-los e meu amor mais uma vez ficou em segundo plano.
- Vocês podem parar de brigar, Rodolfo já chegou, papai vai ficar furioso se souber dessa briga.
-Você não contaria à ele não é Carla?
-Se for preciso Roberto eu vou contar sim, Juliana, Vanessa e você já estão me cansando, eu sempre tenho que tomar conta de vocês, sempre tenho que defender vocês, Juliana está noiva e nem assim vocês param com essas brigas. E você Vanessa quando vai se conformar que só pode sair se for com o Roberto, quem manda ser assanhada.
-Antes ser assanhada do que cobiçar o noivo da irmã, sua encalhada.
Nesse momento nosso pai Oswaldo, homem sério, de estatura mediana, pele clara, olhos verdes e de poucas palavras entrou na sala e mandou Vanessa se calar, Juliana que amava Rodolfo mais que a sua própria vida, preferiu não acreditar no que tinha ouvido e foi ao encontro do seu amado na sala de estar.
Meus outros irmãos foram em seguida, quando fui me retirar, meu pai me segurou pelo braço impedindo a minha saída, coisa que para ele era fácil, porque eu era pequena de aparência frágil. Ele começou a falar muito bravo comigo, mas em voz baixa.
- Carla, vou te mandar pra Itália para passar algum tempo por lá.
-Mas por que papai? Mal cheguei da casa da vovó e o senhor já vai me mandar embora novamente.
-Seus irmãos já sabem, sua mãe vai enlouquecer se descobrir, você tem que ir.
- Não sei do que o senhor está falando papai.
- Não insulte a minha inteligência, sei do seu amor pelo Rodolfo e você sabe que a sua irmã irá se casar com ele.
-Mas porque ela, sei que ele me ama também e...
Nesse momento fomos interrompidos pela entrada brusca da minha mãe na sala e meu pai já foi falando pra ela que eu viajaria na próxima semana pra Itália, no próximo navio. Minha mãe era uma mulher de estatura baixa, pele clara e olhos de um azul profundo, minhas irmãs eram muito parecidas com ela, eu e Roberto parecíamos mais com meu pai, pele clara e olhos verdes.
Minha mãe nunca questionava as decisões de meu pai, mesmo se não concordasse com elas.
- Vai ser muito bom para você minha filha, ficará na casa de minha tia na Calábria, quem sabe você arruma um pretendente por lá.- Disse minha mãe já se encaminhando para a sala de estar.
Não havia nada que eu pudesse fazer a não ser obedecer aos meus pais.
Saí da sala e me juntei aos meus irmãos na sala de estar, quando entrei Rodolfo estava sentado ao lado de Juliana, ela estava linda em seu vestido azul quase da mesma cor de seus lindos olhos grandes e expressivos. 
Tentei disfarçar meus sentimentos e então saímos para festa de Noivado de minha irmã.

Continua...
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