segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Sonhos de um Anjo ( Pris Jardim) Parte 6

      
Roberto e eu saímos do quarto e comece a ver a festa, como que se eu estivesse em outra dimensão. Era uma nuvem negra que pairava sobre meus amigos, todos bêbados e drogados. Em volta deles haviam outras pessoas que também riam e se drogavam juntos. Era uma cena de arrepiar!
      Tudo era em dobro, as pessoas e as sensações. Me assustei quando vi que havia naquele lugar amigos que já haviam morrido, mas mesmo assim agiam como se estivessem vivos e se aproveitando das energias das outras pessoas.
      Uns achavam que realmente ainda estavam vivos, e outros sabiam de sua situação mas continuavam naquele lugar.
      Créeeedo! Que horror!! Acho que nem vou dormir esta noite. Ainda bem que amanhã é domingo!...isso está parecendo mais uma daquelas histórias de terror.
      Lhe confesso que naquele momento pensei a mesma coisa. Perguntei ao Roberto como tudo aquilo era possível e ele me respondeu:

-         Anjo, é como eu lhe disso da outra vez. As pessoas escolhem para onde vão. Essas escolheram ficar por aqui, outras nem se deram conta que já morreram.
-         Mas como isso é possível?
-         Somos o que pensamos. Se pensamos em coisas boas, construtivas, vamos para lugares bons, mas por outro lado, se pensamos em coisas ruins, destrutivas ou até mesmo não nos damos conta de que já morremos ficamos por aqui e continuamos a “viver” como se nada tivesse acontecido. Somos muito bons em mentir à nós mesmos.

      Roberto vendo minha cara, percebeu que eu estava muito confusa mas continuou:

-         Veja sua amiga Fabiana. A vida dela é um caos, seus pais acham que lhe dando dinheiro e fazendo todas suas vontades vão suprir a falta de amor deles, quando na verdade, ela gostaria mesmo era de ser abraçada, beijadas, acariciada e até mesmo repreendida por eles. Ela se envolve com drogas, bebidas para chamar a atenção de seus pais para ela e tentar assim ter um pouco de carinho.
-         Então todos os que estão aqui fazem o mesmo que a Fabi?
-         Não, nem todos. O Roger por exemplo, é amado e querido por seus pais. Seus irmãos são estudiosos e trabalhadores. Roger só quer mesmo é saber de farra, mas nem por isso é menos amado que seus irmãos, mas ele prefere ser o “fortão”, o “bonitão”e não liga para os sentimentos de seus pais.
-         Nossa! Não sei nem o que dizer. O que será que vai acontecer comigo quando chegar minha hora?
-         Você sabe o que deve fazer e pode ajudar também seus amigos se você quiser e se eles quiserem. Não se pode forçar ninguém a fazer ou acreditar em algo.
-         Eu acho que entendi.
-         Acorde Angélica! Vai dormir até amanhã? A Sami já está indo, você não vai com ela?
-         Nossa Fabi! Há quanto tempo estou dormindo?
-         Há um tempão! Você vai ou não com a Sami?
-         Já estou indo.

      Depois dessa festa, resolvi me afastar dos meus amigos. Só a Samara e o Hiroshi ficaram. Os outros queriam levar uma vida que para mim já não fazia mais sentido. Como não quiseram me ouvir, eu resolvi me afastar.
      Samara e eu estávamos sempre juntas. Sempre contava a ela sobre minhas conversas com o Roberto e apesar dela não acreditar e teimar que eu fosse procurar um psiquiatra, ela estava feliz por me ver bem. Nos duas agora tínhamos tempo para passear mais, estudar mais e ela namorar mais. Perdíamos muito tempo em festas e depois curando nossas ressacas.


Continua...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sonhos de um Anjo ( Pris Jardim) Parte 5

      
      Fabiana apesar de morar com os pais, passava muito tempo sozinha porque seus pais estavam sempre viajando a trabalho e ela espantava a solidão dando festas e mais festas.

-         Sami, onde está o Hiroshi? E que roupa maluca é essa? - perguntei.
-         Ele já está chegando e essa roupa é de dança famenca. Ele me pediu e eu faço tudo pelo meu japonezinho!
-         Você é maluca, isso sim!
-         MENINAS, VOCÊS CHEGARAM! Vamos beber e comemorar a volta de nosso amigo Roger às noitadas! - disse Fabiana.

      Eu levei um baita susto ao ver o Roger. Ele ainda estava um pouco inchado e machucado mas já estava com um copo de cerveja em uma das mãos e um cigarro na outra.

-         E aí gata! Pronta para outra?
-         Roger que surpresa boa ver você denovo!
-         É meu anjo, estou aqui pronto para outra.
-         Nem brinca com isso! Você quase morreu naquele acidente.
-         E aí Fabi? Não disse que ela me amava?

      Entramos na casa e fomos para a festa. Estavam todos muito felizes pela recuperação do Roger, todos bebiam, fumavam, dançavam, namoravam com sempre acontecia mas eu não me sentia mais bem naquele ambiante, sentia que não fazia mais parte de tudo aquilo.
      Hiroshi, quando avistou Samara vestida com aquela roupa ficou todo bobo, queria despi-la alí mesmo. Foi uma cena engraçada.

-         MINHA DEUSA! Você está lindíssima nessa roupa. Não vejo a hora de tira-la... - disse Hiroshi entusiasmado.
-         Tá maluco Hiroshi? Deu o maior trabalho para me vestir e você vem dizendo que quer tirar? Se fosse para você tirar eu teria vindo de Deusa do Olimpo, ela só usa um lençolzinho em volta do corpo.
-         Boa idéia minha deusa, na próxima festa você se veste assim para mim?
-         Hum. Só se for uma festinha particular!

      Todos deram muitas risadas com aquela situação. Samara e Hiroshi eram boas pessoas e viviam se mentendo em situações engraçadas e embaraçosas também.

      Gostaria de ter conhecido esses dois. Eles devem formar uma casal bem exótico: uma negra, um japonês...e atrapalhador ainda por cima... realmente deve ser muito engraçado!
      Realmente eles eram muito divertidos, passei bons momentos com eles, mas voltando à festa:

-         Angel, vem cá! Tenho uma da boa aqui para você!
-         Não Roger, já faz tempo que eu não uso nada disso e quero me manter assim.
-         Xiiii, que que é isso gata? Ficou careta?
-         É Roger, depois do acidente a nossa amiguinha virou santa. Não fuma, não bebe, nem às festas ela tem vindo mais. - disse Fabi.
-         É Fabi...era a falta do “papai” aqui, não era?
-         Não é nada disso, eu só comecei a ver a vida com outros olhos. Não quero ter que passar por aquilo novamente.

      Eu realmente não estava disoposta a experimentar mais nada, mas confesso que acabei bebendo um pouco vendo todos alí bebendo e fumando me deixei levar por aquela situação. Por mais que eu não quisesse era como se alguém estivesse me fazendo beber e ao mesmo tempo, bebendo junto comigo. Acabei ficando muito tonta e pedi à Fabiana para me deitar um pouco em seu quarto. Não me sentia nada bem. Quando me deitei na cama da Fabiana, parecia que tudo rodava, me sentia angustiada, nervosa...eram muitas coisas que eu sentia naquele momento. Comecei a pensar em Roberto, para pedir sua ajuda. Tentava rezar e não conseguia e acabei por adormecer.

-         Meu anjo, o que foi que você fez?
-         Beto? É você?
-         Sim minha querida. Depois de tudo o que lhe disse e expliquei, você voltou a beber?
-         Ah, meu amigo, eu não queria mas meus amigos estavam todos bebendo e eu acabei deixando me enfluenciar.
-         Essa realmente é a palavra: “influênciada”.
-         Como assim?
-         Você quando começou a beber, abaixou sua vibração e com isso alguns espíritos se aproximaram de você.

      Roberto me explicou que todos nós emitimos vibrações, que é nossa energia. Se estamos felizes, vibramos em frequências mais altas e atraímos coisas boas para nós, mas se estamos tristes ou se fazemos algo de errado como beber, fumar,  e até mesmo proferir palavras feias, isso faz com que nós vibremos em uma frequência mais baixa e atraimos coisas ruins para nós. No meu caso, como eu estava em um ambiente repleto de baixas vibrações, atraí para mim alguns espíritos que se aproveitam dessas situações para se utilizar de nossas energias.

-         Angélica querida, você está melhor?
-         Sim.
-         Você quer que eu lhe mostre o que realmente está acontecendo nesta festa?
-         Acho que...quero!
-         Venha comigo, pense em Deus o tempo todo e não tenha medo pois além Dele eu também estou com você. Segure minha mão.

Continua...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Sonhos de um Anjo ( Pris Jardim) Parte 4

    
  Roberto começou a me explicar o que estava acontecendo. Ele me explicou que quando dormimos, nosso espírito se liberta temporariamente do corpo e podemos visitar lugares, pessoas, conversar com entes queridos que já desencarnaram desde que saibamos como fazê-lo.

-         Peralá! Você está me dizendo que quando eu durmo, é como se eu tivesse morrido? E se eu souber posso ir visitar o Egito por exemplo?
-         Quando você dorme, realmente é como se você tivesse morrido, mas não morreu. Porque seu espírito fica ligado ao seu corpo. Agora, ir visitar o Egito, aí, se faz necessário um pouco de prática.

Não lhe direi que também não me assustei quando ouvi isso do Roberto mas estava tão assustada que preferi prestar bem atenção ao que ele dizia e ele continuou me explicando.
Roberto me explicou que nós éramos muito ligados e que ele estava ali para me mostrar como as coisas aconteciam no plano espiritual. Tudo o que ele falava, para mim, era uma surpresa e muito difícil de acreditar também. Para mim, morreu virava anjo e ficava lá no céu, mas ele me explicou que não funcionava bem assim, que quando morremos o que morre é o corpo, a carne, mas o espírito continua. Alguns vão para lugares bonitos, trabalham, como na vida aqui na terra. Esses lugares eles chamam de colonias e existem várias delas. Outros espíritos vão para lugares nem tão bonitos assim e outros ainda ficam na terra sem saber que morreram.
Compreendi então que Roberto estava ali para me ajudar, que não estava maluca e que Deus era mais pai do que eu podia imaginar.

-         Beto, se tudo isso que você está me dizendo é verdade, para onde eu iria se eu tivesse morrido?
-         Acredite meu anjo, você não iria gostar muito.
-         Desse jeito você me assusta!
-         Angel, para onde vamos depois da morte do corpo físico, ninguém sabe ao certo, pois cada caso é um caso.
-         E você? Está morando onde?
-         Em uma colonia de jovens onde estudamos, trabalhamos e ajudamos as pessoas que necessitam de ajuda. Moro com minha avó! É muito bom morar lá e estou aqui hoje para ajudar a jovens como você querida.
-         Então é por isso que você vem e vai?
-         Não posso o tempo todo com você porque ajudo a outros jovens e você também não pode dormir o tempo todo! Agora preciso ir, se cuide.

      Quando acordei, ainda sentia o perfume das flores e a presença de Roberto. Estava atordoada mas sentia uma felicidade tão grande que nem pensei em mais nada. Levantei e fui direto para a casa da Samara.

-         O que aconteceu Angel? Você me parece um tanto aflita!
-         Sami, sonhei com o Beto de novo.
-         E o que ele te disse dessa vez, que a cuca vai te pegar se você continuar a fumar e a beber?
-         Não brinca Samara, é sério! Dessa vez ele me contou sobre como é o outro lado da vida.
-         Ah, quer dizer então que a vida agora tem dois lados! Eu acho que você está precisando de um psiquiatra.
-         Se eu não posso confiar nem em você, então eu vou embora.
-         Espera Angélica. Desculpe-me, eu vou lhe ouvir.

      Contei para Samara toda minha conversa com o Roberto. Ela não acreditava em nada do que eu dizia, conseguia ver isso só pelo jeito dela me olhar mas continuei assim mesmo. Mesmo sem acreditar em nada, ela quis saber quem era o Roberto, saber de nossa história antes de sua morte. Contei para ela.
       Conheci o Roberto quando eu tinha 4 anos, ele frequentava nossa casa por causa de um primo meu. Naquela época esse meu primo morava conosco. Roberto me trazia sempre balas e doces, quando podia saia comigo e fui crescendo como se ele fosse meu irmão mais velho. Eu tinha nele uma figura de pai e irmão. Meu primo por outro lado bebia muito e se drogava às vezes, mas Roberto não gostava daquilo e foi se afastando de Leandro. Quando Roberto tentava falar algo para Leandro referente às bebidas e às drogas, Leandro ria e chamava Roberto de “caretão”.
      Roberto não se afastou de vez de meu primo. Tinha ele esperança de ajuda-lo, dizia que amigo era para todas as horas. Ele era uma ótima pessoa, diferente dos outros da mesma idade.
      Sua morte foi em um acidente de carro. Roberto e Leandro haviam saído para comemorar a entrada na faculdade de medicina. Leandro para variar bebeu muito. Na volta para casa Leandro bateu o carro contra uma árvore. Os dois morreram na hora.

-         Se ele era tão careta assim, por que deixou seu primo dirigir bêbado?
-         Isso eu não sei. Ele morreu esqueceu?
-         Então foi por isso que seus pais se mudaram para cá?
-         Sim, foi. Eles não suportaram a morte do Leandro e acharam que mudando de vida apagariam tudo de ruim que havia acontecido.
-         Agora tudo faz sentido. O estado em  que seus pais ficaram quando souberam do acidente e esses seus sonhos malucos com esse seu amigo.
      Alguns dias se passaram e Samara ligou-me para me convidar à uma festa na casa da Fabiana. Em um primeiro momento exitei, mas como a festa era para comemorar a melhora do Roger e as festas na casa dela eram muito boas, resolvi ir. 

Continua...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Sonhos de um Anjo ( Pris Jardim) Parte 3

     
      Tomei meus remédios, que eram tantos, que dormi por horas. Não sei explicar quanto tempo fiquei ali dormindo. Ao longe escutava uma voz me chamando.

-         Angel? Acorde! Preciso falar com você.
-         Beto? É você?
-         Sim meu anjo! Vamos conversar um pouco.
-         O que você quer me falar?
-         Sobre você e a vida que você está jogando fora.
-         Caramba! Até em sonho e tomo bronca!?!
-         Meu anjo, você sabe que poderia ter morrido naquele acidente. Estou aqui para lhe mostrar o risco que você e toda sua turma está correndo.
-         Porque “toda a minha turma”?
-         Vocês são jovens e acham que tem a vida toda pela frente, que nenhum mal pode lhes acontecer, se arriscam com se fossem imortais e não é bem assim!

-         Estou começando a gostar desse cara! Parecia que vocês não tinham nada na cabeça! Esse fantasminha até que é um cara legal.
-         Posso ou não continuar?
-         Sim, sim continue, está ficando interessante!

-         Roberto, que papo é esse? Está até parecendo aquelas velhas carolas!
-         Me escute com atenção. Eu faleci por imprudência de um amigo, que como o seu, estava bêbado. Vocês acreditam que curtir a vida se resume em se drogar, sexo, festas e outras futilidades. Vocês se enganam profundamente. Estou falando tudo isso porque lhe amo e não posso ver você se destruindo só para se sentir aceita por uma turma.
-         Não faço isso para ser aceita!
-         Para ser aceita e chamar a atenção de seus pais. Mas isso vai destruir a sua vida! Existem outras maneiras de “curtir” a juventude.

      Eu quase aos prantos respondi à ele:

-         Você fala isso porque não precisa mais de ninguém e muito menos ser aceito!
-         É pena que você pense dessa forma. Assim sendo, estou indo. Fique com Deus!

      Acordei chorando e assustada. Tudo parecia tão real, e aquelas palavras do Beto me doeram tanto que talvez ele realmente tivesse razão ou eu estava ficando maluca.
      Os dias se passaram e o Beto não veio mais me visitar. Senti sua falta, mas a vida continuava. Voltei para minha vida de sempre e para o cursinho.

-         E aí Angel? Quase fez jus ao nome e virou anjo hein?
-         Cala a boca Hiroshi! Cuide de sua vida!
-         Calma Angel, não precisa falar assim com ele!
-         Até você Sami? Que decepção!

      Fabiana se aproximou de nós e nos ofereceu um cigarro. Naquele momento lembrei de minha conversa com Roberto e decidi não aceitar o tal cigarro. Todos me olharam. Não dei importância e me afastei. Eles ficaram falando que eu tava amarelando, mas não liguei.
          Fiquei sabendo que o Roger ainda estava muito mal no hospital. Eu não sabia se deveria ou não visita-lo, nunca gostei de hospitais. Depois da aula, Samara e eu resolvemos ir ao shopping, mas nem aquele lugar me trazia mais alegria e descontração. Eu não conseguia parar de pensar em tudo o que o Roberto me disse naquela noite.

-         Angel, você está estranha, até parece que perdeu o gosto pela vida.
-         Não é nada disso, só acho que deve existir outro jeito de aproveitar a vida.
-         Lá vem você de novo! Já disse que aquilo foi só um sonho.
-         Pode até ter sido um simples sonho, mas foi muito real. As vezes tenho vontade de chama-lo novamente mas não sei como.
-         Porque você não tenta o telefone ou manda um e-mail?
-         Vai brincando, vai!
-         Na boa Angel. Se eu fosse você, procuraria um psicólogo, é loucura sonhar com alguém que já morreu e ainda por cima levar uma lição de moral.

          Voltamos para casa quase sem se falar. Dias depois, Samara me ligou pra me convidar para uma festa, mas eu recusei. Ela ficou louca do outro lado da linha.

-         Angel, você está doente?
-         Não, é que realmente não estou a fim de ir, acho que ainda é muito cedo para voltar às festas.
-         Bem que o Hiroshi me avisou que você não iria, quase brigamos por conta disso.
-         Mas vocês voltaram?
-         É, ele tomou um fora da loira da sala ao lado e vou consola-lo.
-         Vocês não tem jeito mesmo, vão acabar se casando. Tchau Sami, boa festa para vocês!
-         Então tchau né!

          Depois daquele telefonema, fui me deitar. Me lembrei de quando Roberto era vivo, de nossos passeios, de nossas brincadeiras, sentia muito sua falta e agora depois de 10 anos de sua morte eu conversava com ele, mas como isso poderia ser possível? Várias perguntas vinham à minha cabeça.
          Existe vida após a morte? O céu existe? Deus existe? Ou eu tinha batido a cabeça com muita força e estava ficando louca? Em meio à esse turbilhão de pensamentos adormeci.

-         Oi meu anjo!
-         Beto? Mas como pode? Estou acordada? Meu Deus, estou ficando louca!
-         Acalme-se, você não está louca e eu estou aqui de verdade, nos seus sonhos, mas de verdade.
-         Não, não pode! Você está morto.
-         Feche os olhos meu anjo. Imagine um campo florido, muitas árvores...agora abra os olhos.
-         Não pode ser, como você fez isso?
-         Gostou?
-         Estamos no parque municipal onde sempre vínhamos fazer piqueniques nos finais de semana, como isso é possível?
-         Sente-se, se acalme que eu lhe explicarei tudo, já está na hora de você saber.
-         Eu morri?
-         Só me escute, por favor.

Continua...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sonhos de um Anjo ( Pris Jardim) Parte 2

      
       Samara fazia as pazes pela décima vez com seu namorado, o Hiroshi. Eu fiquei com o Roger, mas essa festa definitivamente mudaria as nossas vidas.
      No hora de voltar para casa, procurei pela Sami, mas ela já havia ido embora com o seu eterno “ex”, então Roger se ofereceu para me dar uma carona, pois já era muito tarde para eu ir sozinha.

-         Roger, você está bêbado, é melhor eu ir de taxi.
-         Sozinha a esta hora? Não mesmo! Eu estou legal, não tem perigo.
         
      Fiquei em dúvida, mas era o Roger! Minhas amigas morreriam de inveja.

-         Para tudo! Como assim? Você colocou sua vida em risco só para fazer inveja para suas amigas? - perguntou Antônio.
-         Para você ver como eu era! Mas você vai deixar eu continuar a historia?
-         Tá continua...ô doideira!
     
      Eu entrei no carro com a promessa de que ele iria dirigir devagar. Mera ilusão!

-         Angel, coloca um som pra nós!
-         Cadê os Cds?
-         No porta-luvas. E aproveita pra pegar mais uma cerveja.
-         Roger, você não vai beber mais, e está correndo muito também!
-         Deixe de ser “careta” Angel! Pega logo essa cerveja.
-         Não vou pegar nada e para o carro que vou descer.
-         Relaxa gata, aqui é “piloto”! Você vai ver o que é diversão!
-         PARA LOGO ESSE CARRO!
-         Calma gata...
-         CUIDADO! O CAMINHÃO!!
-         Que camin...
      
      Roger corria tanto que não viu nada.
      Ao bater no caminhão, o carro desgovernado capotou duas vezes na pista e parou em uma árvore. O carro parecia papel amassado.
      Quando o resgate chegou ninguém acreditava que ainda estávamos vivos. O caminhoneiro gritava: “Eu não tive culpa!”. Algumas pessoas que passavam falavam: “Estes jovens de hoje não dão valor a nada, nem à própria vida!”.
      Fomos levados ao hospital mais próximo. Roger estava muito machucado, tinha várias fraturas. Eu por sorte só quebrei um braço e bati com a cabeça, fiquei aquela noite em observação no hospital.
      Meus pais, quando viram que eu estava viva, começaram a brigar comigo só para demonstrar para a enfermeira que estava no quarto que realmente se importavam comigo, mas a enfermeira foi logo dizendo:

-         Bronca agora não adianta de nada, a desgraça já está consumada. Fiquem quietos pois ela precisa descansar.”
     
      Eu sentia tanta dor que mal podia ouvir o que as pessoas falavam e apaguei.

-         Não acredito no que estou ouvindo. Agora, só falta você me dizer Angel que se tornou espírita por que não quis caminhar para a luz?
-         Toninho, vai me deixar contar ou não?
-         Tá, tá.
-         Então vamos continuar, mas vê se não fica me interrompendo a todo instante!   
         
      Não sei por quanto tempo eu dormi, mas quando acordei ouvi uma voz gostosa me chamando.

-         ...Angélica, você está bem?
-         Estou mas não posso me mexer que dói tudo!
-         É normal, o acidente foi feio, você poderia ter morrido.
-         Eu falei para o Roger não beber, mas ele não me ouviu...ESPERA, quem está aí? Eu não cosigo ver com toda essa luz.
-         Sou eu Angélica, Roberto, você não se lembra mais de mim?
-         Não...não pode ser o Roberto. Ele morreu há sete anos!
-         Sou eu sim Angel, você está sonhando e eu vim para ver como você está!
-         Eu realmente devo estar sonhando, pois só o “Beto” falava desse jeito meigo comigo.
-         Sim Angel, sou eu.
-         Você é meu anjo-da-guarda?
-         Pode-se dizer que sim.
         
      Na manhã seguinte quando acordei, mal sabia eu onde estava. Fiquei zonza por algum tempo. Aos poucos fui me lembrando de tudo, até da vizita do Beto que para mim, naquele momento, parecia mais uma alucinação. Foi quando a Sami entrou quase aos berros no quarto.

-         AMIGA! Como você está? Que susto você me deu menina!
-         Calma Sami, estou bem, um pouco zonza mas bem. E o Roger? Você sabe como ele está?
-         Amiga...o cara tá mau. Todo quebrado e ainda desacordado, os médicos dizem que não sabem quando ele vai acordar, aliás, eles não sabem como vocês sobreviveram. Angel, não sobrou nada do carro.
-         Eu não me lembro de nada Sami, só me lembro de falar para o Roger do caminhão e mais nada.
         
      Mais tarde meus pais vieram me buscar. Minha mãe chegou estérica brigando comigo, falando horrores do Roger. Fiquei tão furiosa, afinal eu já estava indo para casa enquanto ele nem sabíamos se iria ou não sobreviver. Minha mãe não parava de falar.

-         VOCÊ PODERIA ESTAR MORTA!
-         ELE ESTAVA MUITO BÊBADO!
-         VOCÊ AINDA DEFENDE ESSE DELINQUENTE?
        
      Ela falava coisas sem sentido o tempo todo. Eu ainda estava com tanta dor que coloquei meu MP3 no ouvido no último volume e a deixei falando. Ao chegar em casa fui direto para meu quarto para fugir de todo aquele falatório. Samara veio me visitar.

-         Sami, que bom que veio!
-         Angel, eu não poderia lhe deixar sozinha nesta hora.
-         Olha Sami...aconteceu um lance muito estranho comigo ontem.
-         Não me diga! Você quase morreu?
-         É sério, eu sonhei com o Beto.
-         Aquele seu amigo de infância que já morreu? O que há de estranho nisso?
-         É que pareceu tão real!
-         Foi só um sonho, afinal, o seu acidente foi igual ao dele.
-         Mas ele morreu!
-         E você está viva!

      Minha mãe entrou no quarto trazendo os remédios que eu deveria tomar e pediu para a Samara se retirar pois eu precisava descansar. Não queria que ela se fosse, mas eu estava cansada. Antes de sair ela apenas repetiu:

-         Não se esqueça. Foi só um sonho!

Continua...

sábado, 8 de janeiro de 2011

Sonhos de um Anjo ( Pris Jardim) Parte 1

  
_         Bom dia, meu amor, acorda! Você vai se atrasar. Já estou indo para faculdade. Deixei o café pronto, tá bom?
-         Mas ainda é cedo, porque você não toma o café comigo?
-         Você sabe, hoje é sábado, vou passar lá no Lar de Maria antes de ir pra facu, as crianças estão me esperando. Ah! Por favor, lava a loucinha pra mim?
-         Eu sempre me surpreendo com você ,acho que ainda não me acostumei com essas suas idas ao orfanato aos sábados de manhã, mas invejo essa sua disposição.
-         O dia do voluntariado é muito importante pra mim. É quando me sinto realmente utíl, mais próxima de Deus. É um prazer sublime.
-         Oh! Santa Angela! Acarecia-me com o resplendor que emana do seu coração!..
-         Toninho para com isso! Não sou santa coisíssima nenhuma, sou tão falha quanto qualquer outro.Tem tanta coisa ainda pra ser feita; ainda vou arranjar tempo para poder ajudar mais as pessoas.
-         Sou um felizardo. Dei muita sorte de ter você. Agora vai meu amor, senão você vai perder a hora.Te amo!!
-         Fica com Deus meu amor, até mais tarde!

Mais tarde:

-         Como foi seu dia, Toninho?
-         Correria! Aquele gerente novo vai me matar! Ele é muito antipático.
-         Calma meu querido! Ele deve estar se adaptando ainda, com o tempo ele melhora.
-         Como você consegue ser tão positiva? Vem cá, senta aqui, quem sabe consigo pegar um pouco de toda esta energia positiva por osmose!
-         Bobinho!
-         É como dizem: Quem é bom já vem do ovo!
-         Imagina Toninho, já fiz tanta coisa errada!
-         Duvido!
-         Já estamos juntos há um ano. Daqui dois anos nos casamos...
-         Como se já não fossemos casados!
-         Eu sei, é tudo uma questão de documentos. Mas...
...tem muita coisa do meu passado que ainda não lhe contei; como me tornei espírita, por exemplo.
-         Ah! Claro. Isso é um erro muito grave, confesso que não sei quase nada a respeito do espiritismo, mas o pouco que sei não me parece ser uma coisa ilegal.
-         É claro que não é ilegal, mas quero te contar porque me tornei espírita.
-         Angel, você sabe que respeito mas sou meio cético quanto a estes assuntos.
-         Eu também era, se você tiver disposição para ouvir toda a história eu lhe conto.
-         Vambora!!! Hoje é sábado a noite e não temos nada melhor a fazer.
-         Então vou lhe contar como tudo começou:
      Tudo começou há 8 anos. Era sábado à noite. Eu e minha amiga Samara estávamos em um bar muito badalado na época chamado “Quebradeira”.

-         Angel, pega lá no bar mais uma cerveja para nós?
-         O que você falou Samara? A música está muito alta!
-         PEGA UMA CERVEJA NO BAR!!!!
-         Logo agora que eu estava me dando bem com o Roger?
-         Tá, deixa pra lá! Eu mesmo vou.
     
      Ficamos até bem tarde na “balada”, voltamos para casa nos vangloriando dos gatinhos que tínhamos ficado. Eu em particular estava feliz por ter ficado com o carinha mais desejado da balada.
      Além de sermos muito amigas eu e Samara éramos vizinhas. Nossas vidas eram bem parecidas, nossos pais eram sócios e não se importavam muito conosco. Nós só tinhamos uma à outra.
      Naquela noite em particular como cheguei muito tarde em casa, e devo confessar um pouco bêbada, entrei devagar em casa para que meus pais não percebessem a hora que eu havia chegado, mas eles não se importavam com isso.
      No dia seguinte, acordei na maior ressaca. Mal tomei o café e fui direto ao computador teclar com a Samara.

-         E aí Sami, tá de ressaca?
-         Nooossa, nem te falo. Até o barulho da tecla está me incomodando, ahahahahahaha!
-         Você vai para o cursinho amanhã?
-         Acho que não, prefiro ir fazer compras no shopping, AhahAHahAHahA!!!!
-         Desse jeito não vamos entrar na faculdade, rsrsrsrsrsrsrsrs!
-         E quem se importa com isso, nossos pais é que não huahahuahahuahau!

      Realmente nossos pais não se importavam muito. Se íamos ou não entrar na faculdade, para eles pouco importava.
      Samara e eu adorávamos fazer compras, aliás, a Sami era PHD nesse assunto.
      Mais um fim-de-semana chegou. Eu e Samara fomos dessa vez à uma festa, era aniversário de 18 anos de nossa amiga Fabiana. Os pais dela tinham viajado e como presente deixaram a casa e um “buffet” para ela. Estava toda a turma lá, inclusive o Roger, o rapaz que eu estava afim na época.
      Fabiana ficou muito feliz quando chegamos, sempre éramos as últimas a chegar, assim tínhamos a certeza que os rapazes nos olhariam e as meninas nos odiariam. Coisas de adolescente.

-         Fabí, parabéns minha querida.
-         Obrigada, vocês estão lindas!
-         Mas já tá bêbada Fabí?! – falou Samara.
-         Bêbada não! De “pilequinho”, afinal não é sempre que fazemos 18 anos!
         
      Fabiana bebia e fumava muito. Na festa tinha de tudo: bebida, cigarro, comida, e tudo mais que se possa imaginar.
      Em cada canto da casa havia um casal namorando, alguns dançavam, outros olhavam. A festa realmente estava “ótima”.
(continua)
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