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Nossas Vidas 12º Parte ( Pris Jardim)

A casa estava do mesmo jeito que da última vez que estivi ali. Estava tão cansada que não pensei muito fui dormir no mesmo quarto que dormia quando ia passar as féria, ele era amplo e a janela dava para o jardim e era nele que iria ficar.
Na manhã seguinte fui acordada com batidas na porta da frente me assustei afinal ninguém sabia que eu já tinha chegado, desci rápido as escadas e fui abrir a porta.
-Bom dia! É a senhora Carla eu imagino?
-Sou eu mesma e você quem é? 
-Sou a copeira que seu irmão Marcelo contratou para ajuda-la na arrumação e cuidar da comida- me disse aquela senhora de sorriso larga e gentil e antes mesmo de eu dizer qualquer coisa ela já foi entrando e se rumou para a cozinha eu fechei a porta e fui atras dela.
-Meu irmão não me falou sobre você. Como se chama? 
-Meu nome é Odete, fui copeira dele por alguns anos, até a morte de sua esposa, depois ele e seu filho foram morar com sua mãe, aí ele me trouxe pra cá e disse que era pra eu manter a casa sempre limpa e arrumada que um dia a senhora viria para cá, eu confesso que já não acreditava mais que um dia a senhora viria.
Ela ia falando tudo tão de pressa que eu mal podia entender tudo.
-Está bem, mas vai com calma, minha cunhada faleceu?
-Sim senhora pneumonia braba a senhora não sabia? 
-Não, já a algum tempo que não tenho contato com ele.
-Pois é, o pobrezinho ficou mal, numa tristeza só, então resolveu ir morar com seus pais. O menino já é moço feito está fazendo faculdade de direito e logo vai tomar a frente a nos negócios, é um orgulho para todos naquela casa.

Ela ia falando e sem eu perceber fez o café arrumou a mesa e me serviu, tudo tão rápido. Eu tomei meu café e ela continuou falando que já estava morando na casa dos empregados a pelo menos 3 anos que era viúva e que nós iriamos nos dar muito bem. Para mim foi tudo tão novo e inusitado, a tempos eu não conversava com alguém tão agradável.
Tomei meu café e subi para me trocar. No quarto escrevi uma carta para o Marcelo agradecendo por tudo e informando da minha chegada, desci e fui pedir para Odete colocar a carta no correio pra mim, afinal foram tantos anos sem pisar em terras cariocas que nem sabia mais onde encontrar nada.
-Odete, será que você poderia colocar essa carta no correio pra mim, é que não sei onde fica?
-Não se preocupe senhora Carla, hoje de manhã antes de acordá-la já fui ao correio e mandei uma carta dizendo para seu irmão que a senhora finalmente chegou. 
-Mas como assim?
-Eu ouvi quando a senhora chegou ontem a tarde e escrevi para ele como ele havia me pedido e hoje antes de acordá-la postei no correio. 
-Nossa assim vou ficar mal acostumada.
-Mas eu estou aqui pra isso, aproposito o almoço já está no fogo, tem alguma coisa em especial que a senhora queira? 
-Não, o que você fizer estará bem feito. Só uma coisa, você também cuidou do jardim?
-Por que? A Senhora não gostou das flores? 
-Eu adorei, é que muito serviço para uma pessoa só.
-Senhora, 3 anos morando aqui sozinha, me deram muito tempo pra muita coisa.
Ela disse rindo com uma simplicidade.
Eu estava feliz em minha nova casa, Odete era uma pessoa muito agradável e logo pedi a ela que viesse morar junto comigo, não havia razão dela morar na casa dos empregados enquanto eu morava em uma mansão sozinha, eram tantos os quartos que dava para se perder.
Toda tarde eu gostava de ir até a praia e ver o pôr do sol, imaginava aonde meus filhos estavam, sabia que estavam bem, pois sempre me mandavam cartas, escritas por eles, as meninas Clara e Lara 7 e 8 anos, ainda estavam aprendendo a escrever, mas mesmo assim faziam questão de cada uma escrever a sua, o Thiago meu primogênito, já tinha seus 10 anos e sabia se expressar muito bem.
Do Rodolfo, quase não tinha noticias, mas também não me importava em saber, queria saber dos meus filhos e ficava vendo a tarde cair e imaginando o que eles estavam fazendo naquele momento, que seria bom te-los ali comigo vendo aquela maravilha de Deus.

Continua...

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