Não te quero senão porque te quero e de querer-te a não querer-te chego e de esperar-te quando não te espero passa meu coração do frio ao fogo. Quero-te apenas porque a ti eu quero, a ti odeio sem fim e, odiando-te, te suplico, e a medida do meu amor viajante é não ver-te e amar-te como um cego. Consumirá talvez a luz de Janeiro, o seu raio cruel, meu coração inteiro, roubando-me a chave do sossego. Nesta história apenas eu morro e morrerei de amor porque te quero, porque te quero, amor, a sangue e fogo. Pablo Neruda
Eu te amo porque te amo. Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo. Amor é estado de graça e com amor não se paga. Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários. Eu te amo porque não amo bastante ou de mais a mim. Porque amor não se troca, não se conjuga nem se ama. Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo. Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor. Carlos Drummond de Andrade, in 'O Corpo'
Você vem, assim de mansinho Parece um gatinho Se enrosca E faz beicinho Ronrona baixinho Me olha com carinho Sussurra em meu ouvido E gosto e me arrepio Você sussurra palavras doces Sabe o que dizer E assim, como um gato Se deita ao meu lado Até o dia amanhecer. Pris Jardim
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Valéria