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Nossa Vidas- 5º Parte ( Pris Jardim)


- Ora senhor Paulo não fique assim, o senhor fez aquilo que achou certo fazer, e Oswaldo o ama muito só que trabalha de mais.
- Me sinto culpado por isso, mas hoje peço a Deus que Oswaldo veja antes que eu o que ele está perdendo.
Meu avô e minha e minha mãe ainda conversaram mais um pouco antes de irmos ver minha avó.
Quando entramos no quarto, me senti um pouco incomodada, pois o quarto está soturno, pouca luz, um odor forte de remédios,  minha avó parecia uma morta viva, não me demorei muito no quarto.
Com o passar dos dias eu me encarreguei de cuidar dela, abri as janelas deixando a luz do dia entrar, coloquei flores, dava banhos regulares, rezávamos juntas, contava para ela de minhas viagens, e tudo aquilo parece que foi fazendo com que ela se recuperasse. O trabalho era tanto que nem via o tempo passar.
Em um final de semana, papai chegou com Juliana e Vanessa para nos visitar e ficou muito feliz por ver minha avó bem.
- Minha nossa mamãe, parece um milagre o que aconteceu com a senhora, está bem e na sala, fico muito feliz.
- Oh, meu filho, devo tudo isso a dedicação de Carla que cuidou de mim todo esse tempo. Sua mulher também é uma santa, as duas cuidaram muito bem de mim.
- Oswaldo você é abençoado por ter essa mulher tão dedicada e que  soube educar tão bem suas filhas.-Disse meu avô.
- Papai, agradeço toda noite a Deus por minha família.
Passaram a tarde conversando alegres e em um determinado momento meu pai disse.
- Como mamãe está melhor, vou dizer a Marcelo que já pode casar-se.
- Oswaldo você não deveria ter adiado o casamento de Marcelo por minha causa
- Como ele poderia se casar sem sua mãe e sua irmã estarem no casamento e sua saúde mamãe vêm em primeiro lugar, mas como já está melhor amanhã levo Amália e semana que vem mando buscarem a Carla e vou deixar a Vanessa para ajudá-la também, já que o ano letivo já se encerrou.
Quando meu pai disse isso me dei contar que já estava com minha avó a meses, ele sempre vinha nos visitar, passava o fim de semana e voltava. Os dias iam tão depressa que nem me dei conta do tempo. No dia seguinte após o café da manhã meus pais e Juliana voltaram para Santos e fiquei com Vanessa.
Vanessa e eu nos dávamos bem, mas sempre tive cuidados ao falar com ela, pois era uma pessoa explosiva.
A semana foi passando e Vanessa conversa muito com a vovó, ela gostava de falar sobre a moda, e coisas que lhe interessava, a vovó ria muito com ela, então tive um tempo para descansar um pouco e então voltei a pensar em Rodolfo. Pensava que logo após o casamento de Marcelo eu voltaria a casa da vovó Filomena e reencontraria aquele que era meu grande amor.
Ficamos mais duas semanas, pois papai resolveu que Marcelo se casaria na véspera de Natal uma vez que já estava perto e assim minha avó poderia viajar e ir para o casamento também.
No dia 20 de dezembro meu pai mandou nos buscar, Vanessa estava preocupada com seu vestido, mesmo ela tendo deixado as medidas e o modelo para a modista antes de vir para o Rio de Janeiro.
- Papai não podia fazer isso comigo, eu deveria ter ido antes para provar meu vestido.
- Calma Vanessa, teremos quatro dias para ver isso.
Vovó Lucila soltou uma risada gostosa e disse.
-Filha nenhuma mulher resolve coisas como vestido em quatro dias.
- Carla é estranha vovó, finge não se importar com essas coisas quando no fundo está tão preocupada quanto eu.
- Não sou estranha, estou preocupada sim, mas pedi a mamãe que usasse de molde um vestido recente meu e disse como o queria, agora é só experimentar quando chegar e rezar para ficar bom.
Meus avós riram com toda aquela situação, eu e Vanessa acabamos rindo também.  
Uma brisa leve tocou o meu rosto como num beijo de despertar e lembrei-me que estava voltando pra casa depois de tanto tempo. Me dei conta que já havia anoitecido, voltei ao camarote do navio e o resto da viagem transcorreu bem.

Continua...

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