Pular para o conteúdo principal

Nossas Vidas- 2º Parte ( Pris Jardim)


Roberto, Juliana e eu fomos na carruagem de Rodolfo, enquanto meus pais e Vanessa foram em nossa carruagem, eu queria ter ido com meus pais, mas Vanessa não era querida por Rodolfo então fui com eles.
Chegamos ao salão de baile da cidade, era um lugar lindo. A fachada era de um casarão comum lindo jardim na entrada. Lá dentro estava todo enfeitado com rosas e orquídeas em vários tons, a escadaria que dava para o salão, normalmente usado pelas noivas,estava toda enfeitada com flores campestres.
Toda a nossa família e da noivo estavam presentes, a festa estava linda, Juliana bailava no salão como uma princesa com seu príncipe, eu os observava de longe quando percebi que mais  uma vez Roberto e Vanessa discutiam.
Fui ver o que estava acontecendo e quando me aproximei gelei ao ouvir a discussão. Vanessa quase aos berros dizia que iria contar à todos que eu  amava Rodolfo e era correspondida. Puxei Vanessa pela mão e tirei-a dali e fomos para o jardim; Roberto foi atrás para tentar acalmar Vanessa.
-Vanessa você está louca eu e Rodolfo somos apenas amigos.
-Pode até ser, mas sei que você o ama.
- Nunca mais diga isso.- Disse em voz forte para ela.
Roberto falou com certa tristeza na voz.
- É por isso que brigávamos antes de sair, Vanessa foi contar para Juliana que você amava Rodolfo.
Fiquei sem ação por alguns segundos então retomei.
-Não precisa mais se preocupar comigo Vanessa, semana que vem vou para Itália, e se Deus quiser volto somente depois do casamento deles que  está marcado para daqui dois meses e vou ficar pelo menos três meses ou talvez nem volte mais.
-Viu Vanessa, ela vai embora, agora você pode cuidar da sua vida e deixar a nossa em paz.- Disse Roberto com ar de alívio.
Roberto depois de dizer isso levou Vanessa para dentro do salão, alguns momentos depois, entrei, bem na hora das alianças. Vanessa ao me ver, abriu um sorriso sarcástico, rindo por dentro.
Vanessa não amava Rodolfo,ela gostava era de infernizar a minha vida e a de Juliana , por algum motivo ela me detestava, não sei ao certo, pois fomos criadas de mesmo jeito, nunca tive regalias em casa e sempre ajudei a mamãe a cuidar dela e de meus outros irmãos, por ser a mais velha deles.
Vanessa mal podia conter sua satisfação em me ver naquela situação, eu por outro lado, me aproximei dos noivos felicitei-os e me afastei, ninguém percebeu, Roberto se aproximou e me disse:
- Às vezes você me surpreende, mas dessa vez tenho que te dar os parabéns.
-Por quê? Porque quero a felicidade de minha irmã Roberto, ou você me julga como sendo a Vanessa.
-Ela pelo menos não finge seus sentimentos.
-Eu não finjo, só apareci tarde demais na vida de Rodolfo e  não sou capaz de estragar a vida da Juliana.
- Você não tem coragem é de assumir quem você realmente é.
Eu simplesmente saí da salão deixando Roberto lá em pé, falando sozinho, Roberto tinha afeto por mim e eu por ele, mas era só afeto, Marcelo, meu irmão mais velho, era quem me amava de verdade, agora que estava casado e morando longe não tinha mais quem me defenderá de meus irmãos mais novos.
O baile acabou e a vida seguiu, uma semana se passou e o dia da minha viagem pra Itália chegou.
Meus pais, Marcelo e Roberto me levaram até o porto. Me despedi deles e com muita tristeza embarquei para Itália, e comigo naquele navio embarcaram, todos os meus sonhos e esperanças de recomeçar a minha vida, em outro país com minha tia Carmela e se Deus permitisse encontraria um amor e quem sabe me casaria e viveria por lá.

Comentários

Jeanne Geyer disse…
espero que ela encontre um lindo amor para viver.
Adorei o conto, bem escrito e interessante...
Beijos

Postagens mais visitadas deste blog

Poema de Cora Coralina

Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silencio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. Cora Coralina

Eu e o Tempo ( Pris Jardim)

Vou andando... ...caminhando Vejo o novo Aprendo com o velho
No riacho desfaço meu cansaço Vejo o peixe, o pássaro Retomo o passo
Perambulo no tempo Me perco Me acho E volta o cansaço
Agora as pernas falham O lho o espaço Conto o que aprendi Revejo o que vivi
Descanso me refaço Ando e paro Agora me desfaço
Pris Jardim

A Criança e o Adulto

A criança brinca com seu brinquedo distraída, o adulto olha atento a criança que está brincando e perdida em seus pensamentos.
Seus pensamentos na verdade são sonhos, enquanto brinca realiza o desejo de um futuro certo para ela.
O adulto olha a criança e se lembra de quando era criança, de seus sonhos e certezas e de como tudo ficou diferente e pensa: " Santa ingenuidade que nos faz tão bem, bom seria ser criança que não pensa, só brinca".
A criança olha o adulto e pensa: "Que bom que seus sonhos se realizaram e ele agora só pensa que tudo deu certo".
Ambos se entre olham e sorriem, a criança volta a brincar e a sonhar e o adulto volta a observar a criança e a suspirar: " Santa ingenuidade".

Pris Jardim